A Rússia ofereceu US$ 1 bilhão para o governo da Venezuela comprar armas de companhias bélicas russas. O anúncio foi feito pouco antes do encontro de hoje entre os presidentes Hugo Chávez e Dmitri Medvedev na cidade de Orenburgo, perto da fronteira com o Cazaquistão, no último dia de visita do presidente venezuelano à Rússia. Desde 2005, a Venezuela já negociou mais de US$ 4,4 bilhões com a Rússia na compra de jatos, helicópteros e 100 mil rifles Kalashnikov.
No encontro, Chávez aproveitou para celebrar o reforço dos laços econômicos e militares entre os dois países. Após observarem exercícios militares, os presidentes assinaram um acordo de cooperação energética entre Rússia e Venezuela no valor de US$ 6,5 bilhões. Os acordos reforçam a pretensão de ambos os países afastarem a influência americana em suas respectivas regiões. Foi esse o tom dos discursos de Chávez e Medvedev no encontro. Antes, Chávez já havia dito a uma TV russa que a Venezuela e a América Latina precisam de amigos como a Rússia para derrubar a "dominação" americana e garantir a paz.
O presidente russo, por sua vez, disse "estar feliz em receber a delegação de nossa amiga Venezuela". Afirmou ainda que "a dinâmica de nosso relacionamento aponta para os sólidos fundamentos de nossos laços" e que "nossa cooperação é multifacetada, inclui laços econômicos e militares". Chávez expressou seu "inteiro, modesto, mas firme apoio" para a intervenção militar da Rússia na Geórgia, considerada desproporcional pelo Ocidente. Apesar da declaração, a Venezuela não reconheceu a soberania da Ossétia do Sul e da Geórgia, regiões separatistas que desencadearam o conflito.
O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, disse que as relações com a América Latina serão prioridade na política externa do país. No encontro com Chávez, ele se dispôs a ampliar os acordos militares e desenvolver planos nucleares com a Venezuela para fins pacíficos. Putin disse que a "América Latina está se transformando em uma notável ligação na corrente de um mundo multipolar que está se formando". Chávez concordou, dizendo que "hoje, mais do que nunca, o que você [Putin] disse sobre um mundo multipolar está se tornando realidade". A visita de Chávez à Rússia acontece logo depois de uma frota de navios russos ter partido de sua base no Ártico com destino à Venezuela, onde realizará manobras conjuntas em um exercício militar sem precedentes desde o fim da Guerra Fria.