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Pesquisa mostra taxa de 34% de abandono do tratamento por excesso de reações

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Pesquisa mostra taxa de 34% de abandono do tratamento por excesso de reações

Soropositivos ainda ocultam a doença por medo de discriminação

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23/09/2008 - 21h30
fonte Folha Online



Uma pesquisa mundial realizada com cerca de três mil pessoas soropositivas em 18 países, incluindo o Brasil, mostra que o maior medo dos pacientes HIV positivos é com o preconceito, exclusão social e os efeitos colaterais do tratamento com anti-retrovirais.

A pesquisa, chamada Atlis (Tratamento para a Aids em Âmbito Internacional), foi conduzida em adultos HIV positivos de cinco regiões pela Iapac (Associação Internacional de Médicos no Atendimento à Aids): América do Norte (Estados Unidos), América Latina (Argentina, Brasil, México e Caribe*), Europa (França, Alemanha, Itália, Rússia, Espanha e Reino Unido), região da Ásia/Pacífico (Japão, Coréia, Malásia, Nova Zelândia e Cingapura) e África (África do Sul).

Os resultados do estudo mostram que preocupações sobre efeitos colaterais podem impedir os pacientes de procurar tratamento. Em geral, 26% dos entrevistados relataram que haviam decidido não procurar tratamento, pois acreditavam que as terapias anti-retrovirais provocam demasiados efeitos colaterais, sendo as respostas da Europa (42%) e África do Sul (29%) as mais prevalentes.

"Quando a pandemia de HIV e Aids começou no início da década de 1980, a principal meta da educação era dar esperança às pessoas e a meta do tratamento era prolongar a vida", afirmou José M. Zuniga, Ph.D., Presidente/CEO da Iapac. "Apesar dos passos incríveis que já demos, o que este estudo mostra é que algumas pessoas estão rejeitando tratamentos, pois temem os efeitos colaterais dos medicamentos que podem potencialmente salvar sua vida, ao passo que outros já submetidos a tratamento se resignaram desnecessariamente a viver com os efeitos colaterais e pouca tolerabilidade em uma época em que estão disponíveis opções menos tóxicas de tratamento. Os pacientes agora podem e devem esperar mais da terapia anti-HIV."

Cerca de 34% dos entrevistados interromperam o tratamento, principalmente porque acreditavam que provocava excesso de reações. O estudo concluiu que mais da metade de todos os entrevistados se preocupavam por seus medicamentos poderem causar um ou mais dos seguintes efeitos: mudanças no formato da face ou corpo (58%), problemas gastrintestinais (54%), fadiga ou anemia (54%) e doenças hepáticas (54%).

Os entrevistados da América Latina e América do Norte expressaram preocupações significativamente maiores sobre os muitos efeitos colaterais potenciais do que os entrevistados de outras regiões, ao passo que os entrevistados africanos expressaram significativamente menos preocupações.

As entrevistadas do sexo feminino na maior parte das regiões, especialmente na Europa, estavam mais preocupadas do que os entrevistados do sexo masculino em suas respectivas regiões sobre a perda de ossos e deformações da face e do corpo.

Com base nos resultados da pesquisa, a Iapac incentiva uma chamada global à ação instando a comunidade de HIV a: 1) aumentar a educação e discussão para garantir que os pacientes sejam mais bem informados sobre seus tratamentos e possam ajudar na tomada de decisões sobre a terapia; 2) promover diálogo sobre a qualidade de vida dos pacientes, no que se refere à potência do tratamento, estratégias de dosagem, efeitos colaterais e tolerabilidade; 3) abordar barreiras não clínicas ao início e adesão ao tratamento de HIV, inclusive discriminação e custo e 4) promover programas de prevenção à Aids que sejam culturalmente sensíveis.

O estudo mostra que o estigma permanece como um problema para os pacientes, particularmente no que se refere à divulgação de seu status de HIV positivos. Mais da metade dos entrevistados da pesquisa (54%) estão "muito" ou "um tanto" preocupados com o fato de outras pessoas conhecerem seu status de HIV positivos, com 83% alegando que isto se deve predominantemente à preocupação com a discriminação social.

Os pacientes também estão preocupados com o afastamento de membros da família e amigos (41%), o impacto sobre sua capacidade de estabelecer futuros relacionamentos (37%), o risco de perder o emprego (36%) e o impacto sobre sua reputação (36%).

Os entrevistados africanos tiveram menos preocupações sobre revelar sua doença em comparação com pacientes de outras regiões, enquanto os da Ásia/Pacífico estavam mais preocupados com o risco de perder a família e amigos, assim como com o potencial impacto sobre seus atuais relacionamentos. Os entrevistados da América do Norte estavam mais preocupados com o fato de seu status de HIV positivo poder prejudicar sua reputação.
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