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Peregrinos renovam a fé em São Francisco no Ceará

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Peregrinos renovam a fé em São Francisco no Ceará

Este ano, a Romaria Dom Joaquim, uma das mais tradicionais de Fortaleza, 50 anos de história e fé

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Este ano, a Romaria Dom Joaquim, uma das mais tradicionais de Fortaleza, 50 anos de história e fé
ROMARIA DOM JOAQUIM
Peregrinos renovam a fé em São Francisco no Ceará
23/09/2008 - 12h27
fonte Diário do Nordeste www.diariodonordeste.com.br



Há três anos, o produtor de eventos Elenilton Jorge estava à caminho de Canindé para festa de São Francisco, quando, em Caridade, se deparou com os andarilhos da Romaria Dom Joaquim. Ficou tão comovido e com vontade de ser parte daquele movimento que desceu do carro e se juntou ao grupo. Foi a primeira vez que foi à Canindé à pé. Dois anos depois, ele repetiu a dose e fez o percurso completo, de cerca de 130 km, de Fortaleza até Canindé.

Assim como outras 150 pessoas, Elenilton Jorge está na fase de preparativos para a edição deste ano da Romaria Dom Joaquim, que sai amanhã, às 21 horas, e deve chegar a Canindé por volta de sábado à noite.

“Para mim, é uma reflexão de vida e um ato de fé. Não se trata de uma religiosidade intensa, mas de valorizar o lado espiritual. É uma experiência muito rica e são muitos aprendizados nos três dias de viagem”, conta o produtor de eventos, ante s da sua quarta caminhada.

Este ano, a Romaria Dom Joaquim, que leva este nome porque sai há 50 anos da Rua Dom Joaquim, na Praia de Iracema, levará cerca de 150 pessoas com o mesmo objetivo e fé à cidade de Canindé. A organizadora é Raimunda Gomes Braga, uma senhora de 83 anos, que assegura ainda ter a mesma energia de anos anteriores para a longa caminhada, apesar das restrições e cuidados impostos pela sua família.

“Meu marido, que morreu há dois anos, foi quem começou essa romaria. Desde então, todos os anos aumenta a quantidade de pessoas que fazem a caminhada. Para participar, não fazemos nenhuma exigência, vai quem quer. Organizo tudo de coração”, conta.

Dona Raimundinha, como é conhecida, destaca que o grupo vai se organizando nos quatro meses anteriores à viagem em reuniões no último domingo de cada mês. “As reuniões são para que o grupo se conheça, converse e veja as afinidades e também se catequizar. Isso é importante porque geralmente define os subgrupos na estrada. Eu, este ano, vou ficando mais atrás, com o pessoal que já tem certa dificuldade de andar”, conta a organizadora.

Um dos ensinamentos de quem já conhece bem o chão que separa Canindé de Fortaleza é sobre o desconforto. “Quem não souber o que é desconforto, que olhe no dicionário”, diz Raimundinha. Segundo ela, apesar do cansaço, das dificuldades, da privação e das feridas nos pés, são poucas as pessoas que desistem. “O cardápio é sempre arroz com feijão ou feijão com arroz. Vai todo mundo como Deus quer, recebendo a ajuda das pessoas no caminho”, explica.

Solidariedade
O público que faz a romaria, conforme a organizadora, “tem de todo tipo de gente: rico, pobre, mais ou menos”. Mas é na estrada, conforme ela, que todas essas diferenças desaparecem por completa. “Na estrada, só existe a fé em São Francisco. Todo mundo é igual”, relata.

Dona Raimundinha conta que são muitas as manifestações de desprendimento no meio do caminho, materializando a máxima de São Francisco “é dando que se recebe”. “Tem um senhor chamado doutor Delano, em Maranguape, que abre todos os anos a casa dele para não sei quantas pessoas que nem conhece e tem sempre a mesa farta e posta 24 horas. Uma vez eu perguntei porque ele fazia aquilo e ele me disse que tinha observado a romaria durante cinco anos e fez a sua reflexão”.

Para dona Raimundinha, a solidariedade dessas pessoas é tão especial que parece coisas de quem está “fora da terra”.

No percurso, antes de chegar em Canindé, os andarilhos param em Maranguape, Ladeira Grande, Amanari, Lagoa do Juvenal, Campos Belos, Santa Fé e Caridade.
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