Em um mundo em que o tempo é acelerado e as tecnologias seduzem cada vez mais, as dificuldades para os professores e a Escola aumentam, principalmente quando se trata do ensino de História, uma disciplina freqüentemente associada ao passado. Esses desafios são alvos das discussões da III Jornada de Ensino de História da Universidade Federal do Ceará (UFC), iniciada ontem e com programação até amanhã.Na conferência de abertura, temas como a escrita e a leitura articuladas para a produção do conhecimento histórico foram abordados por Lana Mara de Castro Siman, professora de Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica (PUC), de Minas Gerais. Com o tema “Novos desafios para os saberes e práticas docentes no campo de ensino da História”, a professora destacou que é preciso despertar nos estudantes o desejo de conhecer essa disciplina. Para isso, Lana Siman observa que é preciso investir no letramento dos alunos.
“Os professores de História e de outras áreas têm sido chamados a pensar no letramento, porque as avaliações mostram a deficiência dos alunos na leitura”. A professora observa que não se trata de ensinar os alunos a ler e escrever, mas de fazer com que através dessas duas competências eles possam praticar o saber histórico. Levando-se em consideração que a disciplina de História é completamente mediada pela linguagem verbal, é de suma importância para esses estudantes dominarem minimamente a língua portuguesa.
“Enquanto a alfabetização é da competência dos professores de Português, o letramento fica a cargo das outras áreas, dentre elas a História”. Mas para que o estudo dos fatos passados e presentes não se torne dependente dos livros, Lana Simon recomenda que os professores incentivem os alunos a perceberem a presença da História em outros produtos culturais, como telenovelas, filmes etc. “Precisamos ver que a História está na vida”, reflete.
Todas essas questões passam pela adaptação dos professores e da própria Escola ao novo contexto de ensino. Uma das dificuldades enumeradas pela palestrante é a heterogeneidade dos alunos em sala de aula. Os professores precisam lidar com estudantes de origem e com bagagens culturais e saber mediar essas diferenças.