06/10/2008 - 10h57 Mayara Bastos
Jornal Meio Norte
Com as regras eleitorais cada vez mais rígidas, não só os candidatos ficam cautelosos em suas ações durante o pleito. Os eleitores também adotam essa postura e configuram um cenário diferente no processo eleitoral deste ano. Já se foi o tempo em que eleitores vestiam, literalmente, a camisa de seus candidatos. O que se viu nas ruas e colégios eleitorais de Teresina foram eleitores sem demonstração clara de afinidade com candidatos.
Nos principais colégios eleitorais da cidade, não se viu práticas tão comuns durante a votação, como eleitores levantando a bandeira de seu partido, de forma individual ou coletiva ou ainda usando camiseta, boné, botton ou dístico de seu candidato, exceto os fiscais de seção de cada coligação.
O estudante Fernando Gomes de Oliveira, acredita que hoje a intensa fiscalização da Polícia Federal e do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) tem inibido esse tipo de manifestação. “As pessoas têm medo de expressar que tem simpatia com algum candidato, já que existem regras para isso”, afirmou.
Para a comerciante Daiane de Alencar Nascimento, o motivo que tem lavado a população não demonstrar como antes afeição por algum candidato está nos rumos políticos do país. “As pessoas estão cada vez mais discrentes com os políticos. Ninguém quer mais se arriscar. Às vezes, a gente demonstra que gosta de uma candidato na eleição e acaba quebrando a cara em seguida”, desabafou, acrescentando que prefere a manifestação silenciosa.
O funcionário público João Mendes Sousa avalia que os teresinenses estão mais conscientes na hora do voto e que para exercer sua cidadania não precisa “gritar por ninguém”. E completou: “As pessoas que levantam bandeiras, gritam por candidato querem alguma coisa em troca de imediato. Quem apenas vota por propostas realmente não precisa vestir camisa e nem levantar bandeira de partido”.