Somente este ano, 45 crianças foram retiradas do trabalho infantil no Piauí. É o que aponta os dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) referentes ao período de janeiro a agosto. Os registros foram feitos em um total de 11 municípios do interior do Estado que ocupa a quinta posição no Nordeste nos casos de incidência de trabalho infantil.
A cidade de Marcolândia, distante 352 quilômetros da capital Teresina, aparece no topo da lista dos municípios com maiores registros, 14 somente em julho deste ano, conforme o levantamento. A atividade de fabricação de farinha de mandioca tem sido a principal responsável pelo uso de mão-de-obra infantil. Em segundo, o município de Boa Hora, que no mês de maio, teve seis crianças resgatadas de uma fábrica de produtos de origem vegetal.
Segundo os dados do MTE, o município de Esperantina também se destaca na incidência de trabalho infantil, onde seis crianças e adolescentes foram flagrados trabalhando na coleta e beneficiamento de lixo. Os outros municípios piauienses com registros de exploração de trabalho infantil são: Boqueirão do Piauí, Picos, Vila Nova do Piauí, Acauã e Barras.
Os números do Piauí estão baseados nas fiscalizações realizadas em diversos municípios do interior do Estado. “A realidade piauiense aponta que as crianças que trabalham hoje, estão realizando atividades na agricultura familiar. Casos de crianças em empresas trabalhando como adultos são poucos os casos registrados no Estado”, explicou Paula Mazulo, superintendente regional do Trabalho.
“O que encontramos são crianças com uma dupla jornada: escola e roça, trabalhando no âmbito familiar. Ainda sim, essa prática deve ser combatida por meio da conscientização das famílias, porque para elas, é uma questão cultural. E com mais investimentos é preciso mais trabalho e mais mão-de-obra”, explica Mazzulo.
De acordo com a Superintendência Regional do Trabalho (SRT), o aumento de recursos destinados para agricultura familiar tem contribuído para o aumento nos índices de exploração da mão-de-obra infantil. A realidade é que 171.891 crianças e adolescentes da faixa de 05 a 17 anos vivem em diversos municípios no interior do Estado.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), no item Trabalho de Crianças e Adolescentes aponta que desse número 65,04% tem como atividade principal a agricultura.